Blog do Xico Malta

Quando o Benfica dominava a Europa

Posted in Do Malta by xicopati on 03/05/2012

Eusebio, Bela Guttmann e Mário Coluna

Conquistar por duas vezes seguidas a Liga dos Campeões é certamente um grande feito. Ganhar contra Barça e Real na final é uma proeza ainda maior. No dia 2 de maio 1962, Eusébio marcou duas vezes contra os merengues numa final épica (5 x 3). Foi o momento sublime da história das Águias.

Em Lisboa, no bairro da Luz, 2 de maio é um dia festivo. No entanto, haja visto a atual situação do clube com a decepcionante temporada e a provável saída de Jorge Jesus, será bem complicado os torcedores festejarem.

Os anos 60 foram os anos dourados do futebol português e lisboeta. Há quase meio século, os 65.000 torcedores presentes no estádio Olímpico de Amsterdam assistiram o Benfica de Eusébio, Simões e Coluna, conquistar pela segunda vez consecutiva a Europa contra o gigante Real Madrid de Puskas e Di Stefano.

Os portugueses nunca foram vistos como favoritos neste confronto contra os merengues. Os adversários dos encarnados tinham um retrospecto invejável: Cinco Taça dos Campeões Europeus (antiga Liga dos Campeões). Vale lembrar que os madrilenos perderam a edição de 1961 por causa de um simples acidente de percurso, em todo caso, o time merengue esperava e tinha toda certeza de conquistar a sexta vez em sete anos o título supremo europeu.

Para chegar na final, o Real atropelou o Boldklubben por 12 a 0 nos dois jogos, antes de eliminaram com dificuldade a Juventus nas quartas e por fim na semifinal o time de Madrid venceu por 6 a 0 o Standard de Liège (4 x 0 no jogo de ida e 2 x 0 no jogo de volta). Desta vez não havia dúvida, o grande Real estava de volta e o Benfica seria mais uma vítima do gigante espanhol.

No entanto, os jogadores comandados pelo lendário treinador húngaro Bela Guttman e liderados pelo genial Eusébio, a pantera negra, atropelaram os favoritos e conquistaram o bicampeonato europeu. O grande ídolo português não participou da primeira conquista europeia no ano anterior devido aos problemas administrativos provocados por uma complexa transferência do Sporting para o clube encarnado.
No início da partida o Real parecia confirmar o seu favoritismo, graças a impetuosidade de Ferenc Puskas que marcou dois gols logo na primeira metade do primeiro tempo aos 17’ e aos 23’.A torcida presente em Amsterdam já esperava a famosa manita.No banco benfiquista, Guttman mostrava seu mau humor porém sabia que seu time tinha o costume de reverter situações adversas, como aquela ocorrida nas quartas de final contra o Nuremberg.
Depois de ter perdido por 3 x 1 na Alemanha, os encarnados venceram em casa o jogo de volta por 6 a 0. O segundo gol de Puskas foi logo seguido pela diminuição da vantagem merengue graças ao gol de José Aguas aos 25’. Benfica acordava de sua inicial letargia e conseguiu o empate com o gol de Cavem aos 34’. A torcida encarnada foi ao delírio, os pupilos de Bela Guttman conseguiram mais uma vez reverter o jogo. Inspirado, Puskas fez seu hat-trick um pouco antes do intervalo aos 38’.

No segundo tempo, o brilho alvo da estrela de Puskas cedeu lugar ao brilho negro de Eusébio. Mas foi primeiro Coluna, aos 51’, que deixou tudo igual novamente, graças a uma bomba de fora da aérea.

O Pantera Negra, aos 65’, depois de uma grande jogada, sofreu falta dentro da área, pênalti cobrado pelo próprio Eusébio. O número 13 do Benfica permitiu aos portugueses ficarem pela primeira vez em vantagem no placar. Três minutos mais tarde, Eusébio marcou o quinto gol dos encarnados gravando assim seu nome pra sempre na história da mais importante competição do continente europeu.

Noite de sonho para o jovem talento africano. Depois do apito final, mais que um simples troféu, foi com a camisa de Di Stefano que ele deixou o estádio Olímpico de Amsterdam: “Sempre foi meu ídolo e ainda tenho aquela camisa  5rdxao lado de todas as minha medalhas e outras premiações”. Glória para os vencedores e dinheiro para os derrotados. O bônus recebido pelos jogadores do Real Madrid oferecido pelo clube por ter chegado na final era bem mais alto que o bônus benfiquista. Cada membro do elenco português recebeu apenas 40 euros pela última conquista do troféu mais cobiçado do velho continente.

Consciente do grande feito realizado, Bela Guttman encerrou a sua carreira de treinador antes de se transferir ao Penarol e jurou que o “Benfica não ganharia nunca mais a Liga dos Campeões”. Meio século mais tarde, a maldição húngara ainda prevalece.

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