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Josep Guardiola, um destino blaugrana

Posted in Do Malta by xicopati on 28/04/2012

Josep Guardiola é um produto da Masia, o centro de formação invejável do Barcelona. Ele ingressou na célebre instituição do clube catalão, em 1984, aos 13 anos de idade. Sete anos mais tarde, Johan Cruyff, então treinador dos Blaugranas, promoveu o jovem meio campista ao time profissional. Rapidamente, o jovem Guardiola se impôs como uma peça essencial do chamado dream team catalão que venceu, em 1992, a Liga dos Campeões.

Depois da aposentadoria de Bakero, Guardiola se transformou no capitão do Barça, quando revelou ao mundo a sua técnica apurada e a seu passe preciso. Ele acumulou vários sucessos ao conquistar uma Liga dos Campeões, seis campeonatos espanhóis, duas Copas do Rei e uma Copa dos Vencedores de Copa. Gravemente contundido no verão de 2000, Pep colocou um ponto final provisório na sua aventura catalã, em abril 2011, e foi buscar novos ares na Itália.

 

Depois de alguns anos errantes, do Qatar ao México, passando por uma condenação de doping em 2001, Josep Guardiola encontrou a sua nova paixão, em 2007, quando foi escolhido para treinar a equipe reserva do Barça. O seu primeiro grande feito foi levar o clube à segunda divisão do Campeonato espanhol. Porém o destino do ex-capitão alcançaria rapidamente patamares mais elevados.

Apesar de um balanço respeitável, a direção do Barça decidiu rescindir o contrato de Franck Rijkaard e causou surpresa ao nomear, em maio 2008, um treinador inexperiente. Aos 37 anos, Guardiola assumiu as rédeas de um dos clubes mais poderosos do futebol mundial. E sem tremer, o debutante realizou verdadeiras proezas  em sua primeira temporada. Vencedor da Copa da Espanha, o Barcelona conquistou a Liga contra o seu arquirrival madrileno e se impôs diante do poderoso Manchester United na final da Liga dos Campeões.

Ele entrou no círculo fechado dos que conquistaram a Liga dos Campeões como jogador e como treinador, depois de Giovanni Trapattoni, Johan Cruyff, Carlo Ancelotti ou ainda Frank Rijkaard. Em 2009, o Barcelona conseguiu seis títulos pois venceu a Supercopa da Espanha, a Supercopa da UEFA bem como o Campeonato Mundial de Clubes. O sucesso de Guardiola foi meteórico. Sorte de iniciante ou um talento fora do comum?

Sua segunda temporada deveria ser a da confirmação. Guardiola e o Barça não foram tão bem como em 2009, mas conquistaram o campeonato espanhol contra o grande inimigo Real Madrid. O recorde de pontos em uma temporada foi batido: 99. A rivalidade com o Real Madrid não é de hoje, mas o Barcelona conseguiu obter um enorme prazer em colecionar vitórias contra seu histórico adversário.

 

A chegada de José Mourinho no comando do Real, em 2010, deu uma dimensão dantesca aos combates entre os dois clubes. Guardiola ficou particularmente irritado com a verve do português fora de campo. A dicotomia de estilo dividiu o planeta futebol, ao se digladiarem durante os famosos “clasicos”. O Barça atropelou o Real com deliciosas goleadas: 6 a 2 em Santiago Bernabeu e a histórica “manita” 5 a 0 no Camp Nou.

 

Foi em 2011 que ele entrou no rol dos maiorais com a obtenção de um novo troféu da Liga dos Campeões, novamente contra o Manchester United (3 a 1) e de um terceiro troféu consecutivo do Campeonato espanhol. Com Messi, Iniesta e Xavi, decisivos na conquista destes troféus, ele deu cada vez mais importância aos jogadores formados no clube. Em quatro temporadas no comando do Barcelona, Pep Guardiola revelou 22 jogadores oriundos da base.

Através de sistemas táticos inovadores (4-3-3 transformável em 3-4-3 ou até em 3-7-0 sem atacante), repousando em uma pressão insaciável, uma posse de bola a toda prova e de jogadores intercambiáveis, Coach Guardiola, mais que uma vasta gama de troféus, deixou uma marca permanente na história do Barça.

 

No entanto, em 2012, o sonho barcelonês e seu jogo extravagante encontraram um obstáculo. Assim como em 2010, quando não conseguiu passar pela Inter de Milão de Mourinho, o time de Guardiola foi detido pela defesa do Chelsea na Liga dos Campeões e pelo Real na Liga.

Uma temporada encerrada de forma melancólica, mas que não seria causa de sua decisão: “4 anos é uma eternidade, estou cansado. Preciso me repousar”, declarou o treinador.

No vestiário do Camp Nou, Guardiloa anunciou sua partida após uma conversa de uma hora com os jogadores e o presidente. Com certeza, ele deve ter agradecido a todos por terem ajudado a construir um império do futebol moderno. Aonde irá o talentoso treinador? Chelsea? Seleção inglesa? Um período sabático? Entretanto o clube catalão já oficializou o nome de seu novo treinador: Tito Vilanova, assistente de Guardiola.

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