Blog do Xico Malta

Uma torcida e dois mundos.

Posted in Geral by xicopati on 04/03/2008

 

Acredito que não exista em nenhuma outra competição esportiva, tamanha violência entre seus espectadores, como no futebol. Não tenho competência para tratar desse assunto do ponto de vista sociológico e/ou psicológico, há especialistas gabaritados que já dissecaram o assunto. Há quem defenda a idéia de jogos com torcedores  de uma única equipe no estádio.

Mas a medida é inócua no maior time da cidade luz, o Paris Saint Germain.

Nas tribunas localizadas a direita do célebre estádio de Paris, o Parcs des Princes, fica a curva Boulogne, lugar tradicional dos torcedores parisienses. Em cima, na mesma curva, as torcidas organizadas, Boulogne Boys e a seção R2, aquela dos neonazistas, praticantes da saudação fascista e dos gritos de macacos quando um jogador negro toca a bola. “Boulogne é uma curva solidária e unida, explica um torcedor, somos uma verdadeira família”. A xenofobia dos ultras de Boulogne é escancarada com os gritos de “Sales árabes” e “Sales noirs” (árabes sujos, negros sujos). Por conta do racismo explícito, os torcedores insultados são “convidados”, pelos funcionários do próprio PSG, a se sentaram em outros setores do estádio, como medida de segurança.

Do outro lado do gramado, fica a curva “Auteuil”, composta em sua grande maioria por filhos de imigrantes magrebinos e da áfrica subsaariana, com uma cara já bem mais cosmopolita e com comportamento típico de jovens da periferia parisiense. Na curva Auteuil, a torcida organizada de maior prestigio era a “Tigris Mystics”, criada em 1993 e dissolvida em julho de 2006. Essa torcida ocupava toda a parte de baixo da curva Auteuil, com seus 400 membros.

Boulogne contra Auteuil, rivalidade entre torcedores da mesma equipe mais não do mesmo mundo. “No começo, os torcedores do PSG, eram formados por uma população de maioria branca, de forte tendência de extrema-direita, que consideravam Boulogne como um território livre”, explica o sociólogo francês Patrick Mignon. “Diante desse fato, os ultras da curva Auteuil mostraram aos poucos que torcedores multiculturais também podiam torcer pelo maior time da cidade” prossegue o sociólogo, em entrevista ao jornal Libération.

E de fato, a periferia parisiense começou aos poucos a mostrar a sua cara nos jogos do PSG. Assim começou a grande rivalidade entre as curvas. O estopim das brigas foi a provocação dos Tigris ao exibir uma faixa no estádio pelo seu 10 aniversario, em 2003, com o seguinte slogan desafiador: O amanhã nos pertence!

A partir daí, não houve mais sossego nos jogos do PSG. Inúmeros conflitos fora e dentro do estádio eclodiram entre os ultras de ambas as curvas.

Em setembro de 2005, na cidade de Le Mans, brigas entre os Boulogne Boys e os Tigris Mystics deixaram um torcedor gravemente ferido.

Dois meses depois, em novembro de 2005, em Auxerre, novos confrontos ocasionaram uma dezena de feridos. O Ministério do Interior da França, por intermédio do seu então ministro Nicolas Sarkozy, interveio ameaçando dissolver ambas as torcidas. Os dirigentes do PSG tentaram fazer a sua parte ao convocar uma reunião com todas as torcidas organizadas do clube.

No entanto, em meados de janeiro de 2006, na cidade de Lens, num jogo pela Copa da França, o ônibus dos Tigris foi atacado pelos torcedores independentes de Boulogne e todo o material dos Tigris foi destruído.

Além disso, no final da temporada 2005-2006, no caminho de Nantes, centenas de ultras dos Tigris Mystics atacaram uma dezena de ultras do Boulogne. Algumas semanas mais tarde, cansados e derrotados, os Tigris Mystics anunciaram a sua dissolução.

Apesar de todos esses acontecimentos, o racismo e a xenofobia persistem ainda hoje nos jogos do PSG.

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36 Respostas

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  1. Márcio said, on 04/03/2008 at 11:54

    Uma pergunta: Por acaso esses torcedores racistas e xenófobos xingam os jogadores do próprio time como o Souza, o Ceará e alguns afro-descendentes q há na equipe????? Como ficam esses jogadores perante essa torcida(???) ?

  2. Sergio said, on 04/03/2008 at 11:59

    Como podemos ver, segregação racial não é um problema só do terceiro mundo.

    Durante a guerra fria, este tipo de manifestação ficou enrustida. Com o fim da URSS, a queda do muro de Berlim e o início da era pós-moderna, os diferentes grupos ideológicos “saíram do armário”. Não causa mais espanto ver um grupo declarar gritos nazi-facistas e semelhantes.

    Uma pena.

    O mundo caminha para o fim !!!

  3. Ivan said, on 04/03/2008 at 12:01

    Se a torcida do São Paulo tivesse uma torcida organizada formada por seus torcedores da classe A, possivelmente teríamos algo muito similar por aqui. Já vi mais de uma vez torcedores do São Paulo brigando entre si dentro do estádio. Lembro de uma copa SP ha cerca de 5 anos atrás, contra um time pequeno onde a briga no meio da torcida do SP pegava boa parte da pequena arquibancada do estádio.

    Embora no caso do PSG não seja apenas diferenças de classes o caso é pior. É incrível como o racismo e o xenófilismo ainda existem.. e os idiotas que o possuem ainda acreditam que um clube pode ser exclusividade de um tipo de pessoa ou raça.. os clubes são do povo, seja rico, pobre, branco, azul, rosa…

  4. Coca said, on 04/03/2008 at 12:15

    Este é um dos motivos pelo qual eu nunca tive simpatia pelo PSG, sempre achei a sua torcida reacionária e fascista. Quando você vai falar da torcida do OM?
    abraço

  5. Alessandro-Palmeirense said, on 04/03/2008 at 12:45

    Grêmio o que?

  6. SAO! said, on 04/03/2008 at 13:37

    tem uma torcida bem parecida com essa no sul…..
    quem disse Gremio???

  7. tarso loureiro said, on 04/03/2008 at 14:03

    Ué, mas não é a França? Cadeia nesses vagabundos racistas! Não é tudo organizado, filmado e tal? Pega os caras que gritam e mete em cana! Se fosse no brasil ia tar uma pá de gente dizendo que só aqui mesmo, que se fosse na Europa, que lá eles são civilizados…

  8. joao said, on 04/03/2008 at 15:15

    Legal seu post,. porque o livro do Franklin Boer menciona muito rapidamente o racismo de torcida organizada do PSG, mas não entra em detalhes.

  9. Thiago said, on 04/03/2008 at 15:42

    Tem razão, no sul tem uma torcida com esses princípios…

  10. Ronaldo Tri Mundial said, on 04/03/2008 at 16:10

    A torcida do PSG é uma das mais complicadas da Europa e também uma das mais fanáticas, também é bom lembrar que esses filhos de imigrantes fazem de tudo para não se afrancesar, são piores que ou seus pais e avós, seus pais e avós chegaram caladinhos, vinha de uma situação de fome e miséria então acharam a França o verdadeiro paraíso na terra, já seu netos e filhos são folgados, querem tudo do bom e do melhor mas não querem esperar a sua hora, querem tudo na mão agora e são tão xenófobos comos os locais franceses.
    Por isso eu digo que nessa dai não tem santos nem demonios.

  11. Xico Malta said, on 04/03/2008 at 20:36

    Caro Sérgio, não seja tão pessimista, o mundo já teve seus dias piores, você não acha? Abraço!

  12. Xico Malta said, on 04/03/2008 at 20:37

    Pois é Marcio, isso se chama hipocrisia, forte abraço.

  13. Xico Malta said, on 04/03/2008 at 20:40

    Forte abraço!

  14. Xico Malta said, on 04/03/2008 at 20:40

    Valeu João!

  15. Xico Malta said, on 04/03/2008 at 21:16

    Desconheço, por favor, traga mais informações a respeito. Abraço.

  16. Coca said, on 05/03/2008 at 18:17

    Ronaldo tri mundial, além de eu achar que vc está equivocado, acho sua colocação perigosa. Seu discurso
    generaliza e etiqueta comportamentos. Por mais que tenha problemas de integração na França, a sua frase “esses imigrantes fazem de tudo para não se afrancesar” é muito infeliz… Imagino que para vc todo corinthiano é bandido e provavelmente use a palavra “baiano” para denegrir alguém. Não tem nada que justifique ideologias de extrema direita.

  17. Xico Malta said, on 05/03/2008 at 20:33

    O tema racismo está sendo discutido exaustivamente na França, principalmente depois do caso Ouaddou. O Ministro de esportes Bernard Laporte busca uma mobilização geral, como aquela que ocorreu na Inglaterra contra as pessoas culpadas de racismo e de violência nos estádios. O governo francês está buscando medidas mais enérgicas, aguardemos por resultados positivos.

  18. Xico Malta said, on 05/03/2008 at 21:19

    A numerada e a cativa não seria uma forma de segregação, não seria o abadá do futebol?

  19. Xico Malta said, on 05/03/2008 at 21:23

    Qual seria a torcida? Se você tiver informações concretas a respeito, por favor, não hesite em argumentar.

  20. Xico Malta said, on 07/03/2008 at 09:35

    Como assim “Grêmio o que”? Desculpe Alessandro, mas não entendi.

  21. Eduardo Iamada said, on 07/03/2008 at 10:22

    Parabéns pelo post Xico!
    Acho que tudo que é extremo é ruim, e concordo com o tarso loureiro, já que, as vezes, as pessoas só aprendem com punição.
    Abraços.

  22. Xico Malta said, on 07/03/2008 at 11:02

    Obrigado Eduardo, grande abraço!

  23. Xico Malta said, on 07/03/2008 at 11:16

    Caro Ronaldo,

    Com certeza tudo na vida não há santos nem demonios, não gosto de maniqueísmos, mas acho seu argumento a respeito da integração dos filhos e netos de imigrantes um pouco simplista. O tema é por demais complexo para que possamos em algumas linhas dar um parecer definitivo sobre os problemas dessa integração. Vários fatores (entre os quais: cultural, religioso, histórico, etc..) tem que ser analisados e observados com muito cuidado para não chegarmos a conclusões precipitadas e levianas.

  24. Cássio said, on 07/03/2008 at 14:31

    Xico, boa tarde.
    Não estou justificando a atitude dos franceses.
    Recomendo um livro de nome “Os últimos dias da Europa – Um epítafio para um velho continente”. Esse livro trata da guerra silenciosa (ou já nem tanto) que rola nas ruas européias, entre os europeus legítimos e os “invasores”, em especial, os muçulmanos.
    Segundo o livro, os muçulmanos, alguns já na 3a geração de imigrantes, vivem em guetos, não falam o idioma nacional, não estudam e, consequentemente, não agregam valor ao mercado de trabalho e, para completar, atacam violentamente toda a cultura local. Agridem os europeus em salas de aula e perseguem os judeus. O livro ainda mostra que as demais colonias de imigrantes tem resultados muito melhores em seu processo de integração nos países europeus.
    Acho que vale a leitura. A coisa ao meu ver, vai além da xenofobia. Dá a impressão de ser um sentimento de auto-preservação cultural.
    Falando em racismo. Muitos palmeirenses e sãopaulinos, talvez não saibam, mas seus clubes foram fundados com base no racismo e no elitismo, respectivamente. O meu Corinthians até hoje é ridicularizado por sua origem operária e popular. Até por adversários negros e de origem pobre!!!!
    O Corinthiano substitui o negro e o pobre nas piadas racistas e elitistas, afinal pega muito mal falar que Negro fede e não tem dente. Quando substitui-se o Negro pelo Corinthiano, a gargalhada é autorizada.
    Abraço.

  25. Cássio said, on 07/03/2008 at 14:34

    Quando eu ia ao Morumbi nos anos 80 assistir Corinthians X Palmeiras, a torcida verde cantava para a gente: “êêê! raça maldita tem mais que se fu…!
    Precisa dizer mais alguma coisa.

  26. Coca said, on 13/03/2008 at 00:49

    Cássio, a respeito do seu comentário do 7/3, sinto NOJO pelo o que você escreveu.
    Existem extremistas em todos os lados da sociedade, Católicos, Judeus, Muçulmanos, Paulistas, Cariocas, Franceses… Por mais que eu considero muitos Corintianos pessoas brilhantes e admiráveis (Washington Olivetto, Ayrton Senna, e muitas outras pessoas) você confirma minha tese, você, apesar de ser Corintiano, é uma pessoa limitadíssima e acredita em ideologias ocultas. Eu sou Corintiano, Brasileiro por opção (meu coração bate verde e amarelo), admiro vários São Paulinos, Vascainos, Palmeirenses… Propositalmente, estou usando “bandeiras” de times…
    Você precisa escolher melhor a suas leituras, para começar, veja o que saiu no Le Monde ontem:
    “Jean Marie Le Pen é condenado a pagar uma indenização de 10.000 Euros porque incitou, através de um texto em uma revista de extrema direita, pensamentos hóstis em relação a comunidade Muçulmana na França”.
    Por mais que eu concorde com a política do blog de barrar comentários com palavrões e ofensas, o que você escreveu é muito pior…
    Sem mais.

  27. Cássio said, on 13/03/2008 at 15:27

    Caro Coca,

    O livro citado é de Walter Laqueur. Leia! Você tem razão quando diz que há extremistas em todas as religiões. Procure no google, “american taliban” e veja os absurdos. Existem até ateus extremistas.

    O Xico Malta, em seu comentário citou a cisão na própria torcida do PSG. Eu, com minha contribuição, tentei, mostrar através de uma leitura recente, o motivo dessa briga. Como disse, não estou justificando.
    Tento através de muita leitura e pesquisa, compreender os fatos do mundo. Eles existem viu, Coca. A Xenofobia, a pedofília, prostituição, devastação do meio-ambiente, racismo, escravidão e outras mazelas, existem. O fato de não aceitarmos, não faz com que seus simpatizantes sintam arrependimento ou peso na consciência. Talvez do alto da asa-delta seja um pouco difícil visualizar, mas no mundo não existem apenas belas paisagens. O futuro da humanidade está mais para Blade Runner do que Os Jetsons.

    Voltando ao livro, em nenhum momento ele incita hostilidade para com nenhuma colônia. Parte dos (Erro meu. não digitei isso quando citei o livro, o que deu um aspecto generalizador ao comentário. Peço desculpas) muçulmanos tem dificuldades de integração devido a questões culturais e religiosas. É um fato. Generalizar que todo muçulmano é um terrorista em potencial, é discriminação. A Alemanha nazista perseguiu os judeus. Afirmar que todo alemão é nazista é errado.

    Tenho amigos e parentes palmeirenses e são-paulinos, pelos quais tenho muito respeito. Meu amado avô era sãopaulino. Meu afilhado é palmeirense.

    Citei a HISTÓRIA dos clubes. Bases de fundação. Origens.
    Você não concorda que fatos extra-campo também formam a história de um clube?
    O apoio de Franco ao Real Madrid, a resistência catalã através do Barcelona, o uso do Milan por Berlusconi e a maldita parceria corinthiana com a MSI não glorificam ou maculam a história de um clube?
    Como citei no meu comentário, talvez muitos são-paulinos e palmeirenses nem saibam, afinal o brasileiro, por uma série de motivos, não tem lá muita memória para fatos históricos. Agora, um “analista” do esporte não pode desconhecer a história do futebol brasileiro a ponto de não saber que o Palestra foi fundado por italianos enriquecidos que não queriam se misturar com a “gentinha” do Brasil Nem ignorar que o SPFC foi fundado pelas viúvas dos clubes de elite, Paulistano e AA das Palmeiras, que se negavam a torcer por um clube de “trabalhadores” ou por outro de “imigrantes” e que, aproveitando-se da proximidade de sua diretoria com duas ditaduras, angariou patrimônio quase sem custo. Vai me dizer também que não sabia que o “super popular” Flamengo, juntamente com Botafogo e Fluminense, tentou expulsar o Vasco da liga carioca por escalar jogadores negros.

    Você nunca ouviu no meio publicitário, nicho que eu conheço bem, pois trabalho em marketing, piadinhas jocosas onde o corinthiano toma o lugar do pobre, do negro, do analfabeto? Eu ouço isso todo dia. Quando não é no café, vem por e-mail…E olha…a gargalhada é geral e sem culpa, viu. Há um artigo intitulado “O Corinthians, o comercial da Pepsi e o preconceito”, do Profº. Carlos Eduardo Carvalho, da PUC-SP que elucida bem esse comportamento, se você quiser, te mando por e-mail.

    Tô de saco cheio desse papinho PC (politicamente correto), em especial da classe média alta, que ouve MPB, pra valorizar as coisas do Brasil e ao mesmo tempo, trata melhor o cachorrinho do que os empregados.

    Batendo papo com as atendentes do fran’s café, fico sabendo que elas ganham R$400,00 reais brutos por 8 horas de trabalho, sem vale alimentação e que são proíbidas de tomar um mísero café!!!! Enquanto o patrão, sujeito boa-pinta, jovem e descolado, que apoia ações de responsabilidade social e ambiental, anda de carro importado com suas namoradinhas modeletes.

    Não aguento gente que bate no peito em nome da honestidade, dizendo: “o povo brasileiro é bom, pena que os políticos são desonestos”. Mas quando chega essa época do ano, extrapola na criatividade visando sonegar o imposto de renda, declarando até o cachorro como dependente (juro que já vi isso).

    Assista, “Cronicamente Inviável”, de Sérgio Bianchi…ele retrata bem a alma desse país.

    Já fui discriminado por morar na zona leste, ridicularizado por ter feito faculdade de humanas, por votar no PT, por ser branco, por estar mal vestido, por ir para a faculdade de metrô e por ser corinthiano. Eu dou risada pra isso tudo. Meu melhor amigo é nissei, minha esposa é italiana, tenho vários amigos negros, gregos, espanhóis, portugueses e nordestinos, o namorado da minha cunhada, com quem sempre viajamos, é judeu, meu dentista é boliviano, meu médico é árabe… e você vem insinuar que eu sou racista!

    Joguei futebol até onde meu joelho permitiu nos campinhos de várzea da zona leste. Até hoje sou considerado pelos amigos de infância do meu bairro, porque, mesmo tendo conseguido uma condição melhor de vida, nunca evitei nenhum deles, sempre que posso, paro, tomo cerveja, bato papo e jogo sinuca. Não é média não, muitas das melhores conversas e risadas que tenho na minha vida são com o pessoal simples, são muito mais autênticos em suas opiniões do que muita gente intelectualizada com que convivo….Sou realmente limitado, não uso nem 10% do meu cérebro, sei que não sou melhor do que ninguém e gosto minha raiz “zelê”.

    Talvez, quando você chegou em São Paulo, vindo de Madagascar tenha sido apresentado, pelos seus amigos ao Brasil idealizado, bonito, puro, liberal, festivo e pseudo-democrático…Você nasceu na África, mas parece ter origem européia, é branco…tem formação, viveu em Paris…Aposto que foi muito bem recebido no Brasil, né? Fosse um dos muitos africanos negros que tentam a vida em São Paulo, você conheceria melhor esse país.

    Bom, já chega. Eu não tenho nojo de você. Eu não tenho nojo de ninguém.

    Abraço e boa sorte.

  28. Coca said, on 15/03/2008 at 12:21

    Cássio, não deveria ter escrito meu comentário desta forma, o fiz com mais emoção do que razão.
    Relendo o seu primeiro comentário percebi agora que você tinha escrito “Segundo o livro”, isso não significa que você concorda com o livro.
    Me identifico com muitos valores que você parece cultivar, somos da mesma área inclusive, torcemos para o mesmo time e ideologicamente você não só repugna ideologias rascistas como também não aceita o falso humanismo da classe média alta Brasileira, aquele lado da sociedade hipócrita que se auto-proclama inconformada com injustiças, fazendo-o segurando uma taça de champagne em uma mão e na outra, falando alto no celular… rs
    Por outro lado Cássio por mais que o trecho que você citou retrata um problema real (existe um choque entre o estado de direito laïco Francês e grupos com diversas ideologias religiosas – no caso dos imigrantes do norte da África, muitas vezes Muçulmanos) eu nunca teria reproduzido essas idéias. A palavra “Invasores”, por exemplo, é um equívoco. Mas o maior equívoco é acreditar que um “processo de integração” significa abandonar suas crenças, mudar nomes, esquecer seu idioma de origem, esquecer as suas raizes…
    O Autor que você citou, tem muitas credenciais, escreve sobre história, terrorismo, al qaeda… etc. O Walter Laqueur é Judéu alemão, seus pais foram mortos durante a Shoa… Eu também acho preocupante o crescimento de ideologias radicais ligadas a religião Muçulmana. Mas eu também ficou preocupado com a ascenção da igreja Evangélica no Brasil, isso não me
    leva a colocar qualquer evangélico “no mesmo saco”.
    Não tenho nojo de você, desculpe a palavra que eu usei, e espero um dia não ter nojo de ninguém, mas creio que isso dificilmente acontecerá, não me conformo com muitas coisas, e não creio que as minhas origens e a minha história me façam viver num mundo idealizado.
    abraço

  29. Coca said, on 15/03/2008 at 16:52

    Xicomalta pediu para sinalizar uma correção: palavra ACLAMAR é resultado de um erro de digitação, a palavra certa é ACALMAR.

  30. Cássio said, on 15/03/2008 at 20:57

    Obrigado Xico,
    Pelo que pude entender em seu comentário, os governos europeus fazem com os imigrantes o mesmo tipo de “urbanização” da ditadura militar, bem retratada no filme “Cidade de Deus”. Ainda não tive oportunidade de conhecer a Europa. O dia que der, quero ver o lado turístico e o lado “escondido embaixo do tapete” das grandes cidades európéias, para ter uma visão ampla.

    Coca, sem ressentimentos.
    Falando em falso humanismo, você já assistiu “Cronicamente Inviável”?
    Como disse, não tenho nojo de ninguém. Agora, raiva, tenho de muita gente nesse mundo, começando pelo Bush…
    Saudações Corinthianas aos dois!
    Abraço.

  31. Xico Malta said, on 15/03/2008 at 22:31

    Caro Cássio,
    O autor do livro citado acima, Walter Laqueur, renomado historiador americano de origem alemã, atribui em seu livro, que os responsáveis pelo fracasso da integração foram a religião islâmica e a política de imigração européia que, segundo o autor, deveria ter sido mais restritiva e direcionada.
    Todavia, creio que foram as políticas de integração dos governos anteriores que falharam, isto é, a classe política francesa tanto de direita como de esquerda, nunca souberam criar uma condição de integração decente dos imigrantes. Estabeleceram um modelo de urbanismo totalmente selvagem, através do qual foram criados verdadeiros guetos aonde não chega o correio, os serviços de urgência, médicos e bombeiros não entram e até mesmo a polícia só adentra com armamento pesado.
    Cássio, me permite discordar de sua opinião a respeito de que “vai além da xenofobia e de auto preservação cultural”. A extrema direita representada por Jean Marie Le Pen utiliza esse mesmo argumento simplista e demagógico! Vejo que você é contra o racismo e a xenofobia, por isso, não entendo essa sua equivocada colocação. Em relação aos mulçumanos, não podemos esquecer que quando houve as revoltas nas ruas de Paris no final de 2005, vários líderes muçulmanos fizeram forte campanha para aclamar os revoltados, colaboraram enormemente para que a situação voltasse ao normal.
    Abraço

  32. Coca said, on 16/03/2008 at 01:58

    Sem ressentimentos nenhum, você sabe que francês adora uma discussão. Apesar de eu ser um francês “meio paraguaio” (sem conotação rascista nenhuma, hehehe), tenho no meus genes o gosto por rachas verbais…
    Não assisti esse filme (do Sergio Bianchi), parece interessante mesmo.. Obrigado pela dica!
    abração!

  33. Xico Malta said, on 16/03/2008 at 12:09

    Eu que agradeço a oportunidade do debate, pessoas inteligentes como você agregam enorme valor ao blog.
    Aconselho um filme francês chamado “La haine”, mostra a vida dos jovens na periferia de Paris.
    Grande abraço!

  34. cabecinhadeouro said, on 05/03/2010 at 14:56

    recomendo o filme “O Ódio” (La Haine), de Mathieu Kassovitz (de 1995)

    traz um angustiante esclarecedor panorama dos conflitos na periferia parisiense

    talvez seja interessante até uma trilogia:

    O Ódio
    Kids (também de 95)
    Cidade de Deus

    para traçar paralelos e pensar sobre as diferenças entre a juventude europeía (no caso, francesa), estadounidense e brasleira

  35. Xico Malta said, on 05/03/2010 at 15:10

    Ola Cabecinhadeouro,

    Ótimo o fime o ödio (la haine), boa recomendação, se for comparar a realidade brasileira com a francesa, vamos perceber que na França eles reclamam de barriga cheia literalmente, não é?
    Abraço!

  36. alan (Tricolor de Coração.... ) said, on 05/03/2010 at 16:25

    Cassio eu sei que ofereceu para o Coca mas eu me interessei pelo artigo… rs.

    Eu curto um pouco de sociologia do futebol e similares.

    Você pode enviar o artigo para o e-mail ” ar15264@gmail.com “?

    Se puder eu agradeço.

    E por fim. Interessante o ponto de vista entre a politica habitacional carioca e a francesa. Eu já tinha pensado nisso mas nunca pude ir mais a fundo por falta de material.

    Abs.


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